Nova Constituinte

Posted on 20/05/2007 por

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por Maisa Amaral

Ruas asfaltadas, comércio movimentado, tudo organizado. Essa é a paisagem inicial que se tem de Periperi. O bairro, que é o maior do subúrbio, à primeira vista não aparenta ter muitos problemas sociais. Mas, subdividido em Mirante e Colinas de Periperi, Barreiro e invasão Nova Constituinte, tem nessas duas últimas localidades as maiores deficiências. Problemas como lixo a céu aberto, esgoto, moradia, saúde, entre outros, estão prejudicando a comunidade local.

Lixo a céu aberto é um aspecto bem visível, principalmente para os moradores de Nova Constituinte, onde o caminhão do lixo não tem como chegar, pois a rua que dá acesso à invasão é muito pequena. Com isso, o risco de doenças, principalmente a leptospirose, aumenta na comunidade. “Eu não aquento mais. Todos os dias tenho que andar muito pra jogar o lixo fora, pois se não jogo, fica espalhado pelas ruas e traz muitas doenças, principalmente para as crianças”, afirma a moradora Ângela Maria dos santos, 40 anos.

A maioria das casas não possui saneamento básico. Os esgotos são lançados na praia e alguns moradores lançam a água utilizada na lavagem de utensílios e roupas diretamente na rua, aumentando os focos de mosquitos, como o mosquito da dengue. “Minha filha cai de cama direto. Aqui em casa todo mundo já teve dengue pelo menos umas duas vezes. Como não tenho para onde ir o jeito é me conformar e tentar viver”, diz a doméstica Lindalva Anunciação de Jesus, 30 anos.

Apesar de ser um bairro razoavelmente servido em infra-estrutura, Periperi enfrenta sérios problemas de moradia, pois o crescimento das casas se dá de forma desordenada. Esse fator aumenta o risco de desabamentos, pois as casas estão situadas em morros de barro. “Nós não vivemos como gente, pois como você pode perceber as casas não são de boa qualidade. Elas são construídas de qualquer jeito. Queremos ter aonde morar, não importa como seja a casa, o que não dá é para ficar com quatro filhos debaixo da ponte”, declara o pedreiro José dos Santos, 53 anos. A maioria das casas são de palafitas, passando embaixo um córrego de esgoto, e de pau-a-pique, servindo como alojamento para os barbeiros, transmissor da doença de Chagas. “Já estou acostumada com a situação. Às vezes não gosto que meus filhos fiquem brincando fora de casa, pois eles ficam doentes, devido ao esgoto que corre debaixo da casa, mas não posso impedir”, afirma a moradora da Nova Constituinte, Irineide Barbosa dos Santos, 20 anos.

Saúde

Há apenas um posto de saúde para atender a toda comunidade de Periperi, sendo que os atendimentos são restritos, pois não há especialidades médicas. “No bairro, as principais doenças são a leptospirose e a esquistossomose. Acho o atendimento muito ruim, pois sempre que eu preciso nunca sou atendida logo. Minha vizinha ficou muito doente e, quando levamos para o posto, não tinha médico e nenhuma medicação”, diz a moradora Roseli Santana, 30 anos.

A moradora e presidente da associação de moradores de Periperi Conceição Oliveira, 43 anos, relata que existem algumas soluções possíveis, como um programa de esclarecimento e coleta seletiva com o objetivo de reciclagem dos materiais, viabilizar a canalização e um programa de melhoria das moradias populares. “Sei que para resolver todos esses problemas demoraria muito, se conseguisse resolver, mas algumas atitudes podem ser tomadas em parceria com a prefeitura e a comunidade”, defende ela.

(dezembro de 2003)

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Posted in: CIDADE