As novas faces da pesca

Posted on 29/05/2007 por

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por Fernanda Deiró

A tradição da pesca de mariscos no subúrbio ferroviário de Salvador é aprendida desde muito cedo pelas crianças. Elas vão acompanhando os pais e ajudam a catar os mariscos durante horas no sol. Além de ser uma forma de ocupar o tempo, elas aproveitam para ganhar dinheiro, que, apesar de pouco, é suficiente para as meninices da idade.


A atividade é uma das mais antigas no subúrbio. Hoje em dia existem cerca de 1.200 marisqueiros regulares na região, a maioria são mulheres entre 25 e 60 anos. Em grande parte dos casos elas sustentam as casas com o dinheiro da pesca, que vendem em barracas nas feiras, ou revendem, em alguns casos, para distribuidores.

Catar mariscos nunca teve fins lucrativos para as crianças, mas hoje em dia isso vem mudando. Uma grande parte delas já recebe algum dinheiro pelas horas de trabalho, um pequeno percentual do que é lucrado pelos pais com a venda. Thaysiane, de 8 anos, já acompanha a mãe Alice Gomes há cerca de três anos. A garota diz que já entende tudo de mariscagem e que passou a gostar dessa atividade quando a mãe começou a dar a ela uma quantia no final de cada semana pelo esforço. “Tem vezes que ela esquece, e tem vezes que ela não tem pra me dar. Mas quando ela tem e esquece eu lembro na hora!”, diz a garota sobre a regularidade do pagamento.

Grande parte das meninas e meninos que praticam a pesca no subúrbio ainda não encara a atividade como uma profissão. Estão ali apenas para passar o tempo e, ocasionalmente, ganhar um trocado. Eles dizem que não querem seguir o caminho dos pais, estão apenas de passagem por não terem outras opções. Os pais, por sua vez, não se importam muito com o modo como seus filhos vêem a pesca. Eles dizem que a profissão deixou de ser tradição nas famílias, e sonham com um futuro melhor para as suas crianças.

(maio de 2007)

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