Lazer e renda

Posted on 29/05/2007 por

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por Cristiana Jordão Nery

Um mar tranqüilo, com ondas pequenas, um verde bonito e uma água gostosa são alguns dos atrativos que encantam os banhistas. Na praia de São Tomé de Paripe, último ponto do subúrbio ferroviário, a população é presenteada pela natureza. Mas a beleza e o lazer não são as únicas atrações do lugar. Para os moradores da região, a praia também é uma oportunidade de obter renda para o sustento da família.


O transporte de passageiros para uma ilha próxima, a Ilha de Maré, é um dos principais exemplos de práticas rentáveis em São Tomé. Cerca de 30 balsas transportam visitantes e moradores para a ilha. Segundo o balseiro Luis Cláudio Gomes, 23 anos, responsável pela balsa “Rainha do mar”, “a Agerba e a Capitania dos Portos fiscalizam as balsas e exigem que a segurança seja garantida”.

Possuir licença para pilotar, um seguro, respeitar a capacidade das embarcações e ter equipamentos como os coletes salva-vidas são algumas das obrigações que os balseiros devem cumprir. Os proprietários dos barcos trabalham em conjunto. No atracadouro onde o serviço é prestado, há apenas uma bilheteria e o dinheiro arrecadado é dividido entre todos. A Ilha de Maré é dividida em quatro praias principais, Itamoabo, Praia de Santana, Botelho e Praia Grande e o preço vai de R$ 2 a R$ 2,30.

Essa diferença no destino causa desconforto à população. “O sistema ainda tem o seu lado precário, principalmente com relação ao horário, pois só para Itamoabo que há saída de hora em hora, e os moradores dos demais lugares ficam esperando”, reclamou a dona-de-casa Maria Gomes, 49 anos.

De acordo com o funcionário das balsas Gilsandro Santos, nos dias mais movimentados, os horários são mudados para atender a demanda. Alguns desses profissionais fecharam uma parceria com a Prefeitura de Salvador, para transportar os estudantes dos colégios da região de São Tomé que moram na ilha. Os jovens têm direito ao transporte gratuito no período de 7h às 13h, de segunda e sexta, e devem estar fardados.

O pagamento referente às passagens é feito mensalmente pela prefeitura. “A idéia foi muito boa, antes pagava meia passagem. Tenho mais condição de estudar, já que meus pais não precisam gastar com a passagem”, declarou George José, 17 anos, estudante da escola municipal João Caribé.

Turismo
A economia de São Tomé não se limita ao transporte nas balsas. Não há barracas de praia, mas os visitantes encontram bebidas e comidas, fornecidas por vendedores ambulantes. Tendas, isopor e carros são improvisados para facilitar o comércio. O consumidor também acha comodidade e segurança na hora de estacionar. Em São Tomé, além das vagas nas ruas, há um estacionamento privativo.

Um jovem senhor de 81 anos, forte e dinâmico, construiu uma pousada de 32 quartos e criou um estacionamento que comporta cerca de 150 veículos. “O estacionamento é uma opção para os banhistas que aproveitam o dia nas praias (diária R$5) e também para os que dormem na ilha (pernoite R$10)”, comentou Fernando Jordão, proprietário da pousada e estacionamento “Santo Antônio”. A praia também atrai autoridades, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o atual, Lula, que se hospedaram na área privativa da Marinha, a Inema, onde só têm acesso os oficiais, os funcionários e estudantes da Base Naval e os convidados. No lado da praia que é mais popular, há uma imagem da típica realidade brasileira. Pessoas de diferentes classes sociais convivem em um mesmo local, algumas buscam o lazer, e tantas outras procuram garantir o sustento da família.

(junho de 2007)

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Posted in: ECONOMIA