Sucata de Lobato, geração de renda para os suburbanos

Posted on 29/05/2007 por

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por Clara Hiroki

Em Lobato, no subúrbio de Salvador, indo na direção de Periperi, encontra-se um grande comércio de sucatas automobilísticas, que sustenta a economia deste lugar. Esse aglomerado de lojas sucateiras na beira da Avenida Suburbana é chamado de Sucata de Lobato, onde são gerados empregos para as famílias que moram na região.


É como uma cidade do interior. Mesmo com um cenário precário, o ambiente é familiar. As casas sem pintura expõem os tijolos e, em suas garagens, se localizam as lojas de sucatas. No Lobato, todos se conhecem, por isso o comércio de sucata foi se sustentando com base no boca-boca, que hoje faz com que ele seja conhecido e procurado por uma boa parte da população de Salvador.Por isso adquiriu uma confiabilidade perante as pessoas, fazendo com que quem procure o “ferro-velho” já tenha o intuito de buscar peças usadas para concertos, pois as lojas de sucata do local trabalham em geral com qualquer peça automobilística, algumas inclusive reaproveitando até a chaparia. Dentre essas lojas existem algumas especializadas em sucatas de motos e até mesmo de Kombi, mas são minoria. Das 20 lojas visitadas apenas três destas se especializaram com o trabalho utilizando outro tipo de material que se difere dos outros.

Apesar da fama que cerca as sucatas de Lobato de fornecerem peças roubadas, o comércio possui sua credibilidade diante dos seus clientes “Nós adquirimos as peças em leilões que acontecem todo mês, além disso, nós temos nossos próprios fornecedores”, declarou o proprietário da Lino – Retífica e Mecânica, que preferiu se identificar apenas como Lino e trabalha há 23 anos no ramo.

No Lobato, os produtos mais comercializados são os motores e caixas de marcha que acabam por tomar quase a metade das vendas realizadas diretamente com seus clientes. Com o crescimento desse comércio vários estabelecimentos já fornecem para empresas, como Minas Pneu, Tropical Car, Pernambuco Checape, Nordeste, entre outros como afirma o funcionário que se identificou como Correia, que trabalha há dois anos na Comercial Miranda.

Os sucateiros andam a vontade, sem camisa, descalços ou de chinelos. Não há formalidades em Lobato. Os funcionários das sucatas trabalham de segunda a sábado, chegando a ganhar um salário mínino por mês. A maioria mora na própria região, tornando mais fácil a ida e vinda para o trabalho e sendo desnecessária uma ajuda para transporte. As lojas têm por volta de três a quatro funcionários, que em geral sabem realizar qualquer tipo de atividade dentro do estabelecimento, passando pelos vários setores, desde a desmontagem dos carros, separação das peças, conserto, remontagem, venda do produto e até faxina.

“Eu tiro o sustento da família com o trabalho de sucata”, afirmou o sucateiro Zé que preferiu se identificar pelo apelido e não se referir ao estabelecimento onde trabalha. Apesar de ser localizado em uma região que possui um renda per capita abaixo de dois salários mínimos, o comércio de sucata vem se sustentando há anos, tanto que o Lobato possui estabelecimentos com mais de 40 anos, juntamente com a credibilidade que foram conquistando junto aos seus clientes e assim, fornecendo renda para os moradores do local.

(maio de 2007)

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