Velocidade controlada

Posted on 29/05/2007 por

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por Amanda Barboza

São 7h da manhã de um dia normal. É mais ou menos nesse horário que o trânsito fica mais lento na Av. Suburbana. Os motoristas reclamam porque demoram a chegar ao trabalho, os estudantes, porque demoram a chegar à escola e os passageiros dos ônibus porque demoram a chegar ao destino. Estão quase todos contra o limite de velocidade que foi estabelecido na avenida.

Um dos motoristas mais inconformados é Jorge Carvalho, 50 anos, morador de Paripe. Ele diz que 60 km/h é um limite de velocidade muito reduzido para a Av. Suburbana. “O bom mesmo era que fosse 70 km/h. De manhã fica tudo engarrafado. Quando eu tô de calça é pior ainda. A gente até estica um pouco. Quando chega perto do radar, dá uma freadinha que é pra não levar multa”, afirmou Jorge.

Fernando Salomão, 50 anos, morador de Periperi, concorda com a opinião de Jorge: “70km/h seria o ideal”. Ele também reclama dos “chupa-cabras”, fotossensores instalados nos semáforos para coibir a invasão de sinal: “Isso é mais um meio desse povo ganhar dinheiro”.

Divergências
O pai de Fernando é uma das poucas pessoas que concordam com o limite de 60 km/h. Fernando Freire, 82 anos, acha que as pessoas não precisam ter tanta pressa para dirigir. “Pra que ter pressa? A pressa é inimiga da perfeição”, afirmou Fernando. O aposentado ainda diz que a questão dos atropelos é “negligência de quem atravessa e também de quem dirige”. Para pessoas como Seu Fernando, 60 km/h é bom para inibir os apressadinhos que, mesmo com a determinação, não cumprem a lei. Alguns motoristas só reduzem a velocidade quando já estão perto dos radares.

Wellington Vieira, 38 anos, morador de Paripe, também concorda com o limite de velocidade. Ele diz que, antes da determinação, ocorriam muitos acidentes na Av. Suburbana. “Quando o trânsito era livre tinha muito acidente por aqui. Colocaram 60 km/h pra ver se diminuíam os acidentes”, afirmou Wellington. Ele diz que “60 km/h é perfeito” para uma via como a Av. Suburbana: “Aqui tem muita gente atravessando. Ainda têm essas casas comerciais. Tinha quer ser 60km/h”.

Descontentes

Wellinson Santos, 22 anos, morador de Paripe, discorda do limite de velocidade. “Hoje eu demoro mais de 40 min para chegar à Calçada. Antes desses radares eu demorava mais ou menos uns 20 min”, afirmou Wellinson. Ele também diz que alguns moradores de Paripe, Coutos, Periperi e Plataforma já fizeram abaixo-assinados para pedir a SET (Superintendência de Engenharia de Tráfego) o aumento do limite de velocidade. “Eu até já tenho um abaixo-assinado com mais de 2.000 assinaturas em casa”, completou Wellinson.

Unido ao grupo dos descontentes está o taxista José Lima, 68 anos. “Não acho que uma pista dessas tenha que ser 60 km/h. Em Plataforma, quando tô vindo do centro, sempre pego engarrafamento”, afirmou Lima. Ele diz que a maioria dos acidentes que ocorrem se deve ao descaso e à falta de atenção dos pedestres. Ainda completa: “Aqueles radares móveis são de perversidade. Eles (SET) mudam de lugar só pra pegar a gente de surpresa”.

A SET afirma que a instalação de fotossensores e radares se deve ao grande número de acidentes, tanto ao longo de uma via quanto nos locais de travessias de pedestres. Na Av. Suburbana, os radares foram colocados limitando a velocidade a 70 km/h, depois diminuíram para 60 km/h. O que a maioria dos moradores do Subúrbio quer é que esse limite de velocidade volte a ser de 70 km/h. Para essas pessoas, só assim a confusão e o estresse que se tornou o trânsito na avenida poderá ser amenizado.

(maio de 2007)

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Posted in: CIDADE