Diversão sob a luz da lua

Posted on 09/06/2007 por

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por Amanda Barboza

Anoitece nas ruas do Subúrbio. Jovens meninas arrumam-se, vestem suas mini-saias jeans. Crianças preparam suas bicicletas para mais uma noite de muita diversão. Para os mais velhos, a melhor opção e colocar algumas cadeiras na frente de suas casas para um longo e agradável bate-papo. Todos eles se preparam para mais uma noite de diversão no Subúrbio.

Um dos pontos de encontro, não só de moradores de Praia Grande, mas também de visitantes, é o acarajé de Flávia Fernandes, baiana de 28 anos e 17 de profissão. O acarajé de Flávia reúne um grande número de clientes quase todos os dias. O ponto de acarajé já existe há 20 anos e pertencia à tia de Flávia. Há cinco anos, a jovem baiana assumiu o comando do local, prolongando a tradição da família.

Depois do trabalho, Flávia costuma levar sua filha Lívia, de 7 anos, para brincar na Praça da Revolução, em Periperi. Lívia diz que, assim que chega na praça, vai logo andar de bicicleta e brincar no pula-pula. “Depois eu gosto de comer, merendar bastante e gastar dinheiro”, completou Lívia. A menina ainda arranja fôlego para dançar; e dança de tudo o que se pode imaginar. Lívia confessa que se diverte mais quando não está no Subúrbio: “Quando eu vou na cidade eu gosto de ir no shopping, no Pelourinho ver as baianas, ver o mar, as esculturas e ir no Campo Grande. Eu me divirto mais na cidade porque lá eu gasto tanto…”.

A Praça da Revolução é local de diversão de Lívia e de muitas outras crianças, como Tailane Brito, 12 anos, Gleidson de Jesus, 13 anos e dos irmãos Gabriel e Gabriela de Jesus, de 9 e 6 anos. “A gente vem pra cá e fica brincando de bicicleta, de pula-pula. Só que lá é caro porque é R$ 1,50 pra pular só 10 minutos”, afirmou Gleidson.

A Praça também é lugar para a prática de skate e tiro ao alvo, onde o alvo e o prêmio são uma coisa só: os doces. Alguns bares, restaurantes, pizzarias e sorveterias também compõem o cenário do local. Alguns oferecem até karaokê, onde algumas pessoas podem colocar em prática todo o seu talento musical. Alguns casais apaixonados conseguem ter um momento de lazer em meio a tanto movimento.

Festa
O caráter festivo da região é marcado por inúmeras faixas espalhadas pelos quatro cantos. Uma delas indica o “Festival do Subúrbio”, no Clube de Periperi, que contará com as bandas Parangolé, Saiddy Bamba, Grupo Arrocha, Poder Dang e o cantor Silvano Sales. Outra indica uma antiga festa, a “Aleluia Fest”, que contou com as bandas Muvuketto, Groov Gueto, Poder Gang, Só de onda e O Groov. A festa ainda promoveu os concursos do Pacotão e do Badalo, com o prêmio de R$ 100 para cada vencedor.

Além de pagode, há também espaço para o funk, que acontece aos sábados e domingos no Flamenguinho. Há também arrocha e seresta em alguns pontos da praia de Periperi. A mais conhecida entre os moradores é a Seresta do Gagi, ponto de encontro para os apaixonados pelo ritmo.

Barracas de “capeta”, churrasquinhos, acarajé, pastel, churros e cachorros-quente preenchem as esquinas de Periperi, dando um ar de constante animação ao local. Alguns locais são referências tanto para os moradores do Subúrbio quanto para pessoas de outros locais. É o caso de Boca de Galinha, localizado em Plataforma e Cabana do Camarão, em Itacaranha. Os dois restaurantes apresentam estilos bem distintos, mas atraem clientes de vários locais. Com um cardápio requintado e música ao vivo de quarta a sábado, a Cabana do Camarão é uma boa opção para os que gostam de música e frutos do mar. Fábio Ramos, 40 anos, dono do restaurante, diz que o local atrai principalmente jovens universitários e promete que, em alguns dias, uma banda de salsa animará as noites de quinta-feira.

Passado
As opções de diversão noturna no Subúrbio sofreram grande transformação nos últimos 50 anos. A moradora de Periperi, Dalva Santiago, 51 anos, conta como se divertia na sua juventude: “A gente andava na rua da frente, ficava a noite inteira fazendo serenata na praia, dormia até de porta aberta. A melhor época era no carnaval. Tinha o carnaval nos clubes, a gente se vestia de mortalha, de fantasia. Tinha concurso entre os clubes… O Clube de Periperi ganhava várias vezes, uma atrás da outra. Esse tempo é que era bom”.

Rômulo Fontes, 59 anos, também morador de Periperi, lembra de como “era bom no passado” e faz uma comparação com os dias atuais: “Hoje a prefeitura arma palanque na época do carnaval, mas não é a mesma coisa. Hoje tem muita violência. Antigamente não tinha isso tudo. O carnaval dos clubes era muito melhor do que isso que fazem hoje”.

Dalva diz que a única coisa que faz, hoje, é ir para os bares que têm karaokê. Rômulo diz que só sai mesmo para levar os netos para algum lugar. “Eu me divirto mesmo é em casa bebendo minha cervejinha. De vez em quando eu trago meus netos pra ficar aqui brincando no pula-pula”, afirmou Rômulo.

Engana-se quem pensa que o Subúrbio fecha as suas portas ao cair da noite. Muito pelo contrário; há espaço para que pessoas de todas as idades e todos os estilos possam se divertir sem maiores problemas, a não ser o de acordar para o trabalho no dia seguinte. E para os moradores dos “bairros mais nobres” aí vai uma dica: conhecer os encantos do Subúrbio a noite tira qualquer impressão negativa do local. Há ainda o risco de se apaixonar ao ponto de nunca mais esquecer o clima do lugar.
(junho de 2007)

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