Mercado econômico

Posted on 09/06/2007 por

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por Cleber Santos

O Centro de Abastecimento de Paripe, também conhecido como o Mercado de Paripe, foi inaugurado em novembro de 1994 na gestão do governador Antônio Carlos Magalhães. A proposta da criação do mercado foi, segundo o coordenador do local, Jorge Souza, a retirada dos ambulantes que ficam à marginal dos trilhos, entre dois canais que escoam esgoto.

O caráter social da criação do centro de abastecimento, ainda segundo o coordenador do local, é o que diferencia de maneira negativa dos demais existentes em Salvador. Jorge Souza considera um ligeiro descaso do governo, representado pela Ebal – Empresa Baiana de Alimentos. “Não somos tratados da mesma forma que o mercado da Sete Portas, Ogunjá ou Rio Vermelho. Lá, até os permissionários são de maior status que a gente”, disse o coordenador.

Completando treze anos, o mercado movimenta grande parte da economia suburbana, mesmo com toda diversidade de comércio existente nos bairros circunvizinhos. Porém, a falta de uma política econômica de investimentos no estabelecimento fez o Centro de Abastecimento começar a ter descrédito da população. O que “deveria ser o point de compras do subúrbio”, como disse dona Maria de Lourdes Costa, peca na falta de melhorias na estrutura e conservação por parte dos permissionários.

Estima-se que aproximadamente oito mil pessoas freqüentem o mercado de Paripe diariamente, das 05:30h às 22:00, de segunda a sábado, fechando às 14 horas no domingo. Esses consumidores têm uma grande opção de produtos dos diversos ramos do comércio varejista. São calçados, confecções, frutos do mar, artesanatos e serviços como barbearia e agência lotérica, além de uma ótica de caráter popular, contando com preços acessíveis. No primeiro vão de boxes, encontram-se as opções em confecções, como moda infantil e adulta, masculino e feminino, para os diversos gostos e condições financeiras. “Aqui você acha roupa de R$ 1,00 até R$ 65,00”, declarou a vendedora Lorene Fátima, 34 anos.

O ramo de confecções encontra seus problemas nas vendas por causa “das condições do povo. Ninguém vem aqui pra passear e comprar roupa; isso faz nos shoppings. Aqui é melhor quando tem festa como Natal e Ano Novo, o resto do ano a gente faz o que pode, mas vende”, disse a vendedora que não quis se identificar.

Para quem duvida da qualidade dos produtos têxteis, é importante que se confira no ato da compra mas a garantia dada pelas vendedoras do local convence não só pela qualidade, mas pelo carisma e desenvoltura na arte de vender. Assim, a sobrevivência é marca registrada daqueles que ganham a vida entre os seus, sem precisar procurar pelo ar-condicionado dos shoppings ou pela riqueza dos consumidores destes.

Vendendo pouco
Um vendedor que não permitiu a divulgação de seu nome comercializa diversos artigos como artesanatos em cerâmica e ervas e diz não se preocupar com a queda nas vendas: “Sempre tem alguém querendo comprar um vaso pra botar as plantas ou querendo comprar plantas pra curar algum mal. Tem dias que a gente vende bastante; mais em dia de feira. Eu vou vivendo assim”.
Muitos se contentam com a situação, outros querem deixar os boxes. “Não tem como sobreviver vendendo tão pouco. Nossa mercadoria fica podre e a gente é que perde dinheiro”, disse um permissionários que vende pescados; ele também não quis revelar sua identidade.’

Consumidor “importado”
A vendedora Lorene Fátima chama a atenção para o fraco investimento para o turismo no local, porém, salienta que a presença de estrangeiros é um atrativo comercial forte. As vendas são sempre altas para certos grupos de turistas, ainda segundo a vendedora, pois qualquer mercadoria, com exceção dos alimentos, viram lembranças da cultura baiana e suburbana, além de alavancar as vendas, tendo um aumento significativo em média de 30 a 40% em dias de vários turistas.

Na oportunidade da observação, turistas angolanos visitavam a área destinada à feira e não deixaram de experimentar algumas frutas, comprando-as. Outros artigos de interesse foram as lembranças, como artesanatos e roupas com temáticas da cultura baiana. Não foi possível saber sobre a impressão dos angolanos com relação ao mercado pois o guia turístico que os acompanhava não permitiu que o jornalista que vos escreve fizesse perguntas.

Catapultando clientes
Sem a permissão para vender seus produtos dentro do Centro de Abastecimento, alguns ambulantes comercializam seus produtos na área externa do mercado, sendo alvos das constantes críticas dos permissionários. Eles combatem as manifestações dos permissionários alegando que o mercado também exclui. “Nós, aqui de fora, somos vítimas dessa exclusão do mercado. A gente só quer trabalhar e ganhar um dinheirinho pra sustentar a casa, os filhos… se eles ampliassem a área todos iam trabalhar e aumentar a vendagem(sic)”, disse o senhor Josué Santana, vendedor de água mineral.

Alguns consumidores como Maria Salete Silva, funcionária pública, diz ter a opção do preço mais barato do lado de fora, mesmo observando “que a qualidade e procedência podem ser duvidosos e o fato de lá dentro ter a taxa de aluguel, deve aumentar o preço da mercadoria. E nesse caso, o preço é o que mais interessa”, afirmou, sendo bastante enfática na questão do preço das mercadorias, haja vista a condição financeira da maioria dos moradores dos bairros do subúrbio.

As questões econômicas no subúrbio soteropolitano estão sempre atreladas ao poder aquisitivo dos moradores e a adaptação desses cidadãos é sempre com o olhar voltado ao preço. Para eles, não importa a procedência; tendo “uma boa cara”, como foi dito por dona Maria Salete Silva, já vale a tentativa.
(junho de 2007)

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