Cultura suburbana

Posted on 20/11/2007 por

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por Manoel Arthur    

Ao entrar no Centro Cultural de Plataforma, percebe-se pela estrutura do local que o centro foi reformado há pouco tempo. Na recepção, fica o segurança fazendo a monitoria do ambiente, logo ao lado, fica localizada a sala de espetáculos, com uma bela infra-estrutura. Antigamente, no local funcionava o cine-teatro do bairro, construído na década de 1940, pelo Círculo Operário da Bahia, sendo comprado pelo governo do estado na década de 1970.
O descaso do governo em relação a cultura e principalmente com os bairros periféricos, fez com que o Centro Cultural mantivesse  suas portas fechadas por mais de duas décadas. No dia nove de junho, finalmente, foi entregue a comunidade o Centro Cultural de Plataforma com capacidade para 200 pessoas e infra-estrutura de som, luz, projeção de vídeo, além de quatro salas de ensaio. O centro é gerido por 20 organizações que constituem o Fórum Comunitário do Subúrbio juntamente com a Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). No entanto, o governo anterior reinaugurou o espaço em dezembro do ano passado sem ter concluído a obra, e não tinha também funcionários e mobiliário de acordo com  o site da Funceb.

Para Ana Vaneska Almeida, coordenadora do centro, este espaço é de grande importânciacentrocultural_arthur.jpg para os moradores, sendo que a comunidade foi responsável pela reabertura do mesmo. Ela foi escolhida para coordenar o centro pela própria comunidade, por morar no Subúrbio, conhecê-lo e por ser formada em teatro. A divulgação dos eventos realizados pelo centro é feita através das agendas culturais nos jornais, panfletos, carros de som e da rádio comunitária de Plataforma.

Para os moradores, o centro facilita o acesso a cultura sem que seja preciso se deslocar para o centro da cidade. “O centro é muito importante para distrair os jovens fazendo com que fiquem ocupados, ao mesmo tempo em que possibilita fazer programas culturais sem se deslocar para o centro da cidade”, afirmou Renan de Jesus dos Santos, 22, morador do bairro.

Contudo, apesar do espaço cultural ser importante para muitos moradores, alguns parecem ignorar a sua existência. Helena da Silva é um exemplo disso. Ao ser perguntada sobre a importância do espaço, ela foi categórica: “Boa”, ao mesmo tempo em que respondeu: “Não sabia que tinha oficinas”. Rose Moraes é outro exemplo: “Não vejo importância, porque não funciona direito”, completa dizendo que no dia da reinauguração tinha uma fila enorme.

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O centro também oferece oportunidades aos moradores de outros bairros, que podem participar das oficinas. De acordo com Márcio Bacelar, secretário do centro, depende de quantas vagas as oficinas oferecem e do que se trata. Foi o caso da oficina de elaboração de projetos fornecida pela Funceb. Teve gente até de Arembepe ligando para o centro, querendo saber informações e participar. As oficinas são em sua grande maioria gratuitas, contudo, às vezes é cobrado um quilo de alimento não perecível para participar das mesmas. Quando isso acontece, os donativos são doados para a própria comunidade. Foi assim com o grupo “O Cidadão de Papel”, que apresentou o espetáculo “Fome”.

Seria ideal se existissem outros centros culturais como este do bairro de Plataforma, onde a comunidade, participando, articulando e com o apoio da Funceb, fez com que a sua revitalização se tornasse realidade. Agora, moradores de Plataforma e dos bairros vizinhos têm acesso à cultura sem ir muito longe de casa.
(setembro de 2007)

Contato:
Endereço: Praça São Braz
Telefone: (71)3398-4769
E-mail:centroplataforma@funceb.ba.gov.br ou centroculturalplataforma@yahoo.com.br

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