De capela à igreja, muita história a ser contada

Posted on 01/12/2007 por

3


igreja_arthur2.jpg

por Manoel Arthur

 A missa tinha acabado de terminar. Duas senhoras estavam fazendo a limpeza do local e pelo aspecto de igreja antiga, era fácil perceber que ali havia muita história para ser contada. Mantendo o ar de capela que um dia foi, a Igreja de São Brás, no bairro de Plataforma, no Subúrbio Ferroviário, está em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). Assim que o visitante chega à praça que leva o mesmo nome da igreja, pode-se avistar a igreja, imponente no alto da praça.
Construída pelos jesuítas no século XVII, em meados de 1638, sua construção era de “taipa” e com telhado de palhas de palmeira silvada, numa colina acima do mar onde havia uma aldeia de índios, de acordo com o site da paróquia (www. tremdamissao.oi.br). Em 16 de abril de 1639, a capela abrigou invasores holandeses. Posteriormente foram os portugueses, em 1822. Quando passou por uma ampliação, alguns altares foram retirados e a imagem de São Brás foi levada para ser restaurada em Portugal, de onde não mais voltou, afirma o site.

Em 1860, o bairro era conhecido como Fazenda de Conde Almeida Brandão. O conde foi responsável pela construção da fábrica existente no local, que se tornou fonte de renda para os moradores. Isso fez com surgisse o vilarejo composto pela população de operários da fábrica, pescadores, ferroviários e índios. Foram os donos da fábrica que trouxeram a atual imagem de São Brás, sendo suas terras passadas para o Comendador Bernardo Catarino, de acordo com o site oficial da paróquia.

igreja_arthur6.jpg

A partir de 1966, a capela passou a ser igreja, com a criação da Paróquia de São Brás, que abrange oito igrejas mais a matriz. O atual pároquo é o Padre Stephen Murungi, de origem queniana. O padre relatou que as missas não são cheias devido às outras que são realizadas nas demais igrejas da paróquia ministradas também por ele. Essas igrejas oferecem os mesmos serviços que a de São Brás. Em relação à arquitetura da igreja, o padre Murungi afirmou que o estilo da igreja é barroco, apesar de estar muito descaracterizada. A igreja está em processo de tombamento para se tornar patrimônio histórico pelo IPAC, porém alguns moradores não querem.

 

igreja_arthur7.jpg

Ao ser perguntada se gostaria que a igreja fosse tombada, Maria de Fátima Moraes, moradora do bairro de Plataforma, foi enfática ao responder: “Não gostaria”. Sobre o porquê dessa posição, ela respondeu: “Porque não poderíamos mais fazer reformas para melhorar a nossa paróquia”. Essa também foi a opinião do padre Murungi ao falar sobre o processo de tombamento pelo IPAC.

Como prática de todas as igrejas, o domingo é o dia santo para freqüentar as missas. “Sempre venho a igreja aos domingos, como católica praticante”, respondeu Maria das Graças de Souza. Para ela, a igreja de São Brás é de grande importância, sendo um local para os fiéis do Subúrbio praticarem seus hábitos religiosos. Maria pensa diferente de Moraes e do padre Murungi no que diz respeito ao tombamento. Para ela, seria de grande importância ter uma igreja considerada patrimônio histórico localizada no Subúrbio. Questionado sobre a possibilidade de interrupção do processo de tombamento, o padre afirmou: “Uma vez iniciado, temos que esperar pelo processo’”.

igreja_arthur12.jpg

Se a igreja de São Brás vai ou não se tornar patrimônio cultural, só com o fim do processo para saber. O importante é que naquele local, que já foi palco de muita história, os moradores de Plataforma possam praticar sua religião.

(outubro de 2007)

Anúncios
Posted in: CULTURA