Uma história de luta e amor pela comunidade

Posted on 03/12/2007 por

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 por Monique Moura

Quem não conhece Julieta Fernandes em Plataforma? Quase impossível achar um cidadão que não conheça essa simpática senhora de 70 anos, moradora de Plataforma há mais de seis décadas. Uma mulher que esbanja sabedoria e garra. A história de vida de Julieta está totalmente ligada à Associação dos Moradores de plataforma (AMPLA). Ela dedicou-se a fundar a associação juntamente com parceiros.

A história de Plataforma contada sob sua visão é algo que encanta qualquer um. Ao ouvi-la fiquei com uma maravilhosa sensação, imaginando cada detalhe que ela descreve. Atenciosa, ela não esconde as suas origens. Julieta teve uma infância humilde, porém divertia-se muito. “Ficava muito feliz, brincava muito, ia para o colégio”, afirmou. Segundo ela, na época só existiam quatro colégios em Plataforma: Colégio Úrsula Catarina, São Braz, André Rebouças e a Machado de Assis.

Filha de operário da fábrica São Braz e de dona de casa, Dona Julieta contou que na época Plataforma passava por sérios problemas de infra-estrutura. “Aqui não tinha energia, não tinha água canalizada, a água que tinha era de rio, riacho e fontes. As pessoas para lavarem roupas iam no rio Juerana que tinha lá para o lado de Pirajá. E tinha duas fontes onde as pessoas pegavam água para abastecimento da casa”, contou.

Além da dificuldade de se obter água, o gás naquela época fazia muita falta. “O pessoal ia cortar lenha. Meu pai mesmo ia pegar lenha para cozinhar, era carvão ou lenha. A vida foi muito dura, não tínhamos nada”, alegou. Porém não era só água canalizada e gás que faziam falta aos moradores. O principal problema do bairro naquela época e continua sendo até hoje é a questão de postos de saúde. Antes, o médico só atendia as famílias de operários da Fábrica têxtil. “As famílias dos operários tinham direito, as crianças. Do contrário, você não ia. Era Dr. Danilo o médico da época”, complementou.

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Preocupada com a comunidade de Plataforma, Julieta sempre teve consciência de que poderia fazer algo pelos moradores, manteve uma perspectiva de melhorar o bairro. Sempre foi estimulada pela política, era comunista e achava que Plataforma poderia crescer. Com um grupo de amigos resolveu fundar a Associação dos Moradores de Plataforma. “Nos juntamos e começamos a pensar no que podíamos fazer pelo bairro. Construímos a creche”, discorreu. De acordo com ela, as mulheres que trabalhavam no bairro eram operárias da fábrica São Braz que, com o seu fechamento, provocou o desemprego e com isso as mulheres saíam para procurar trabalho. Porém não tinham com que deixar seus filhos. Sendo assim, o primeiro passo foi construir a Creche.

Apesar de tantas dificuldades, Julieta não pensa em mudar-se de Plataforma. “Eu gosto de morar aqui, me criei aqui, minha família toda é plataformence, meus netos, bisnetos”, afirmou. Popular em Plataforma, Julieta construiu uma história de luta, sempre engajada no que se diz respeito a colaborar. Segundo ela, seu principal objetivo é ajudar quem necessita, sendo assim, revela o orgulho de ter proporcionado, juntamente com aliados, diversos benefícios para o bairro. O que antes era só ilusão. “Temos o centro de saúde, que foi uma luta nossa, temos o mercado, o primeiro grande mercado de Plataforma, o Bompreço. Temos os correios que não existia em Plataforma e tá existindo, pavimentação das ruas, transporte, o retorno da lancha. Tudo isso é importante, se a gente se junta, acontece”, comentou emocionada.

Adepta de um bom movimento de protesto, Julieta diz que essa é a melhor forma de se conseguir algo considerado complicado. “Quando há realmente um problema na comunidade, que nós percebemos que é uma coisa grave, nos juntamos e fazemos protesto na rua. Eu gosto muito de fazer protesto. Na minha idade fazer protesto é uma boa”, comenta brincando.

Lazer em Plataforma
Para Julieta, encontrar lazer em Plataforma não é algo difícil. O que ela mais gosta no bairro é da creche que ajudou a fundar, da igreja que freqüenta e onde se sente bem. “Gosto de passear aqui, ir a praia. De estar aqui na associação, é aonde eu acho paz. Quando vejo as crianças me chamando de Vovó, é uma felicidade imensa”, afirmou.

(novembro de 2007)

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